Como a liderança é desenvolvida pelos professores
A liderança começa a ser construída em situações comuns da vida escolar, como trabalhos em grupo, debates, resolução de conflitos e participação em projetos. Nesse processo, os professores têm papel central, porque ajudam os estudantes a desenvolver iniciativa, responsabilidade, comunicação e capacidade de trabalhar com outras pessoas. Quando essa competência é estimulada desde cedo, ela contribui para a formação acadêmica, social e profissional dos alunos.
Ao contrário do que muitas vezes se pensa, liderança não está ligada apenas a cargos de comando ou à habilidade de falar com segurança diante de um grupo. Na escola, ela aparece em atitudes como organizar uma tarefa coletiva, ouvir colegas, propor soluções, mediar divergências e assumir compromissos. São comportamentos que podem ser ensinados, observados e aperfeiçoados ao longo da trajetória escolar.
Liderança se desenvolve no cotidiano da sala de aula
O desenvolvimento da liderança não depende apenas de atividades formais. Em muitos casos, ele ocorre na rotina, quando o professor cria situações em que os alunos precisam participar, decidir e cooperar. Um trabalho em equipe, por exemplo, exige divisão de funções, escuta, negociação e cumprimento de prazos. Nessas experiências, os estudantes aprendem que liderar também envolve saber organizar, apoiar e manter o grupo focado.
Esse processo fica mais consistente quando o professor observa perfis diferentes e amplia as oportunidades de participação. Nem todo aluno demonstra liderança da mesma forma. Alguns se destacam na comunicação oral. Outros mostram essa competência na organização, na responsabilidade ou na capacidade de acolher colegas e ajudar a resolver problemas. O olhar do educador é importante justamente para identificar esses sinais e estimular o potencial de cada estudante.
Cleunice Fernandes, coordenadora geral do Colégio Alternativo, de Sinop (MT), observa que a liderança escolar precisa ser entendida como uma construção gradual. “O professor ajuda o aluno a perceber que liderar não significa mandar, mas saber colaborar, se posicionar com respeito e assumir responsabilidades diante de uma tarefa ou de um grupo”, afirma.
O exemplo do professor também ensina
Além de orientar atividades, o professor também ensina pelo exemplo. A forma como conduz a turma, escuta os estudantes, organiza combinados e lida com divergências transmite referências concretas sobre convivência, respeito e responsabilidade. Em outras palavras, os alunos observam não apenas o que o educador ensina, mas como ele age.
Quando o ambiente escolar valoriza diálogo, escuta e clareza nas relações, os estudantes passam a entender que liderança está ligada à capacidade de mobilizar pessoas sem autoritarismo. Isso é importante porque ajuda a desfazer uma ideia equivocada muito comum: a de que o líder é sempre quem fala mais alto ou impõe sua vontade. Na prática, a liderança mais efetiva costuma estar associada à capacidade de reunir pessoas em torno de objetivos comuns, respeitando diferenças e organizando esforços coletivos.
Esse aprendizado também fortalece habilidades socioemocionais valorizadas dentro e fora da escola. Comunicação, empatia, tomada de decisão, flexibilidade e controle emocional são competências exigidas em diferentes contextos e fazem diferença tanto no desempenho escolar quanto na preparação para o futuro profissional.
Como o professor estimula autonomia e responsabilidade
Um dos caminhos mais importantes para desenvolver liderança é incentivar autonomia. Isso ocorre quando o professor propõe desafios adequados à faixa etária, dá espaço para que os alunos façam escolhas e orienta sem centralizar todas as decisões. Em vez de oferecer respostas prontas o tempo todo, o educador pode estimular perguntas, pedir justificativas, provocar reflexão e mostrar que cada decisão tem consequências.
Esse tipo de prática favorece o senso de responsabilidade. O aluno entende que sua participação interfere no resultado do grupo e que seu comportamento tem impacto sobre os colegas. Aos poucos, ele aprende a planejar melhor, cumprir tarefas e lidar com imprevistos. São elementos essenciais para qualquer experiência de liderança.
Também é papel do professor oferecer devolutivas claras sobre esse processo. O aluno precisa saber em que avançou e o que ainda precisa desenvolver. Esse retorno não deve se limitar ao conteúdo acadêmico. Comentários sobre postura, cooperação, iniciativa e capacidade de escuta ajudam o estudante a reconhecer suas próprias características e a compreender como pode evoluir.
Projetos, debates e atividades coletivas ampliam esse aprendizado
Projetos interdisciplinares, apresentações, debates, ações esportivas e atividades culturais costumam ampliar as oportunidades de liderança porque exigem planejamento e atuação conjunta. Nessas situações, os professores podem distribuir responsabilidades, estimular a participação de perfis diversos e evitar que sempre os mesmos alunos assumam a condução das tarefas.
Esse cuidado é relevante porque a liderança também se aprende na prática. Um estudante tímido pode desenvolver segurança ao coordenar uma etapa de um projeto. Outro, mais expansivo, pode precisar aprender a ouvir melhor e dividir espaço. O professor, ao acompanhar essas dinâmicas, ajuda a equilibrar o grupo e a transformar cada experiência em aprendizado.
Segundo Cleunice Fernandes, esse acompanhamento exige atenção às relações que se formam no cotidiano escolar. “Quando o professor orienta a participação, valoriza diferentes habilidades e mostra a importância do compromisso com o grupo, ele contribui diretamente para a formação de alunos mais conscientes e preparados”, destaca.
Família e escola precisam observar os mesmos sinais
A liderança desenvolvida na escola tende a ganhar força quando a família também reconhece esse processo. Isso não significa cobrar que o estudante assuma posição de destaque o tempo todo, mas observar comportamentos como iniciativa, organização, senso de responsabilidade, capacidade de argumentar e disposição para colaborar. Esses sinais podem aparecer em tarefas escolares, em atividades extracurriculares e até nas relações em casa.
O mais importante é entender que liderança não deve ser confundida com competitividade excessiva ou necessidade de controle. Quando um aluno interrompe colegas, centraliza decisões ou rejeita opiniões diferentes, o adulto precisa orientar. O desenvolvimento saudável dessa competência depende de equilíbrio entre iniciativa, escuta, responsabilidade e respeito.
Por isso, o trabalho dos professores é tão importante. São eles que, no contato diário com a turma, conseguem transformar situações comuns da rotina escolar em oportunidades concretas de aprendizagem. Ao incentivar participação, diálogo e responsabilidade, ajudam os alunos a construir uma liderança mais colaborativa, útil para a convivência, para os estudos e para os desafios que surgirão ao longo da vida.
Para saber mais sobre liderança, visite https://www.fadc.org.br/noticias/futuro-profissional e https://www.cieepr.org.br/blog/lideranca-juvenil-como-os-jovens-podem-desenvolver-essa-habilidade/
Alimentação e foco escolar: qual é a relação?
A alimentação interfere diretamente na concentração, no ritmo de aprendizagem e no desempenho dos alunos ao longo do dia. Quando a criança ou o adolescente passa muitas horas em jejum, consome excesso de ultraprocessados ou se hidrata pouco, a tendência é haver mais oscilação de energia, cansaço, irritação e dificuldade para manter o foco nas atividades escolares.
O efeito aparece no cotidiano com bastante clareza. Alunos que chegam à escola sem café da manhã ou que substituem refeições por produtos muito açucarados podem apresentar mais lentidão nas primeiras aulas, queda de atenção no meio do período e menor disposição para tarefas que exigem memória, leitura e raciocínio. Isso ocorre porque o cérebro depende de energia e de nutrientes para funcionar de forma adequada.
O que o cérebro precisa para manter a atenção
Embora represente uma parte pequena do peso corporal, o cérebro consome grande quantidade de energia. Na infância e na adolescência, quando o desenvolvimento cerebral ainda está em curso, essa demanda ganha ainda mais importância. Por isso, a qualidade da alimentação ajuda a explicar parte do rendimento escolar e da capacidade de concentração.
Carboidratos complexos, presentes em alimentos como frutas, cereais integrais, legumes e pães menos refinados, ajudam a liberar energia de forma mais estável. Já proteínas, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais participam de processos ligados à memória, ao estado de alerta e ao funcionamento do sistema nervoso. Nutrientes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B, por exemplo, têm papel relevante nesse processo.
Cleunice Fernandes, coordenadora geral do Colégio Alternativo, em Sinop (MT), observa que a relação entre alimentação e aprendizagem costuma ser percebida na rotina escolar: “Quando a alimentação é desorganizada, isso muitas vezes aparece na atenção, no humor e até na disposição para acompanhar as aulas”.
A hidratação também merece atenção. Mesmo quadros leves de desidratação podem favorecer dor de cabeça, fadiga e dificuldade de foco. Em muitas situações, a queda de rendimento não está ligada apenas ao conteúdo escolar ou ao cansaço acumulado, mas também a um padrão alimentar pouco adequado para sustentar a rotina de estudos.
Café da manhã e lanches fazem diferença
Um dos pontos mais citados por especialistas quando o assunto é concentração é o café da manhã. Depois de horas de jejum durante a noite, o organismo precisa de energia para iniciar as atividades do dia. Quando essa refeição é ignorada, a chance de haver oscilação de atenção nas primeiras horas de aula tende a aumentar.
Isso não significa que exista uma fórmula única, mas sim que vale priorizar combinações que ofereçam energia e saciedade. Frutas, cereais, pães, leite, iogurte, ovos e outras fontes simples de proteína costumam ajudar mais do que alimentos com muito açúcar e baixo valor nutricional. Ao longo do período escolar, lanches equilibrados também contribuem para evitar quedas bruscas de energia.
O problema mais comum está no consumo frequente de refrigerantes, doces, salgadinhos e outros ultraprocessados. Esses produtos podem até gerar sensação rápida de disposição, mas costumam ser seguidos por sonolência, irritação ou dificuldade de manter o ritmo. Entre adolescentes, bebidas energéticas também exigem cuidado, porque podem afetar o sono, aumentar a ansiedade e prejudicar a recuperação do organismo.
Família e escola observam sinais no dia a dia
A alimentação equilibrada não depende apenas de uma refeição específica, mas de uma rotina. Horários muito irregulares, longos períodos sem comer e excesso de produtos prontos dificultam a manutenção de energia estável durante o dia. Em crianças e adolescentes, isso pode se refletir em desatenção, impaciência, queixas físicas e menor constância nos estudos.
Nesses casos, a observação de adultos faz diferença. Se o aluno apresenta queda de concentração recorrente, vale analisar não só sono, uso de telas e rotina de estudos, mas também como está a alimentação. O problema pode aparecer, por exemplo, quando a criança sai de casa sem comer, leva lanches pouco nutritivos ou passa boa parte da semana consumindo alimentos de baixa qualidade.
“Família e escola conseguem identificar mudanças de comportamento que às vezes passam despercebidas na correria do dia a dia”, destaca Cleunice Fernandes. Segundo ela, esse olhar conjunto ajuda a perceber quando a alimentação precisa entrar na conversa de forma mais objetiva.
A escola contribui nesse processo ao tratar o tema de forma educativa e ao reforçar hábitos saudáveis na rotina. A família, por sua vez, segue como principal referência na formação do comportamento alimentar, porque organiza compras, horários e exemplos dentro de casa.
Como melhorar a rotina alimentar sem radicalismo
Na prática, melhorar a alimentação dos alunos não depende de medidas extremas, e sim de ajustes consistentes. Ter refeições em horários mais previsíveis, oferecer água com frequência e facilitar o acesso a alimentos in natura ou minimamente processados já ajuda a organizar melhor a rotina.
Outro ponto importante é reduzir a ideia de que alimentação saudável precisa ser complicada. Em muitos casos, o que favorece a concentração é o básico bem feito: não pular refeições, evitar excesso de açúcar, combinar diferentes grupos alimentares e não transformar ultraprocessados em base da rotina. Planejamento também ajuda. Quando frutas, iogurtes, sanduíches simples e outras opções práticas estão disponíveis, fica mais fácil evitar escolhas impulsivas.
Também vale observar períodos de maior exigência, como semanas de prova. Nessas fases, refeições muito pesadas, jejum prolongado e consumo excessivo de estimulantes podem atrapalhar mais do que ajudar. O organismo tende a responder melhor quando recebe energia de forma regular e equilibrada.
Quando a alimentação vira questão de aprendizagem
A relação entre alimentação e concentração não deve ser tratada como detalhe. Ela faz parte das condições concretas que influenciam o aproveitamento escolar. Um aluno pode ter boa rotina de estudos e acompanhamento adequado, mas ainda assim enfrentar dificuldade de foco se a base da alimentação estiver desorganizada.
Por isso, o tema precisa ser entendido como parte do cuidado com o desenvolvimento. Quando família e escola prestam atenção aos hábitos alimentares, fica mais fácil perceber sinais, ajustar rotinas e criar condições melhores para que crianças e adolescentes acompanhem as atividades com mais estabilidade, energia e atenção.Para saber mais sobre alimentação, visite https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/uniopet/opet-inovacao-em-rede/noticia/2025/03/03/tendencia-em-alta-como-a-alimentacao-saudavel-e-os-exercicios-estao-transformando-o-estilo-de-vida-dos-jovens.ghtml e https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/noticias/2022/por-que-e-tao-importante-uma-alimentacao-adequada-e-saudavel-no-inicio-da-vida
Alunos do Colégio Anglo Alternativo constroem a Árvore da Paz
Os alunos do maternal (Educação Infantil) ao 5º ano (Ensino Fundamental I) participaram, em março, da construção coletiva da Árvore da Paz. A atividade integrou o projeto Cultura de Paz, realizado pelo Colégio Anglo Alternativo.
A prática pedagógica foi liderada pelas coordenadoras Karina Christina, da Educação Infantil, e Nayane Negrão, do Ensino Fundamental. A proposta foi estimular, nos estudantes, valores como respeito, empatia e convivência saudável, por meio de reflexões sobre atitudes que contribuem para um ambiente escolar mais harmonioso e consciente.
A Cultura de Paz preza por valores, atitudes e comportamentos baseados no respeito à vida, aos direitos humanos e à não violência. Para que essas ações aconteçam, entram em cena princípios que vêm por meio do diálogo, da cooperação e da mediação de conflitos, enfatizando uma convivência pacífica e sustentável.
Árvore da Paz
Na construção da Árvore da Paz do Colégio Anglo Alternativo, os pequenos da Educação Infantil tiveram suas mãos pintadas pelas professoras e, em seguida, “carimbadas” em papel. As marcas foram recortadas para simbolizar as folhas da Árvore da Paz, representando a participação e a identidade de cada criança na construção de um ambiente mais harmonioso.
Os alunos do 1º ao 5º ano produziram círculos coloridos, nos quais escreveram frases e ações que promovem a paz no cotidiano escolar e na convivência em sociedade. Com a participação dos alunos e da equipe escolar, todos os elementos foram reunidos, e a árvore foi montada no pátio da escola, formando um painel coletivo cheio de significado.
Após a montagem da Árvore da Paz, foi realizada uma roda de conversa com os alunos sobre atitudes que contribuem para relações mais respeitosas, empáticas e pacíficas dentro e fora da escola.
Cultura de Paz
Em tempos em que a sociedade se apresenta de forma tão conflituosa, recentemente marcada por guerras, a cultura de paz se faz necessária. Mas quando essa expressão foi ouvida pela primeira vez? O termo surgiu no final da década de 1980, durante a Conferência Internacional sobre a Paz na Mente dos Homens, realizada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
A cultura de paz não é sinônimo de ausência de conflitos, mas isso não significa que o confronto deva ser alimentado. Pelo contrário, ela defende que é perfeitamente possível lidar, de forma pacífica, com ideias ou opiniões divergentes, permitindo que seus autores convivam de maneira respeitosa.
Pilares da Cultura de Paz
A Cultura de Paz está sustentada por seis pilares. São eles:
• Respeito à vida: promover o respeito e a dignidade a todas as formas de vida, sem discriminação nem preconceito.
• Rejeitar a violência: baseia-se na prática da não violência, repelindo-a em todas as suas formas (sexual, física, psicológica, econômica e social).
• Ser generoso: refere-se ao compartilhamento de tempo e recursos materiais, promovendo a generosidade com o objetivo de eliminar a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica.
• Ouvir para compreender: defende a liberdade de expressão e a diversidade cultural, priorizando a escuta e o diálogo.
• Preservar o planeta: preza pelo consumo responsável e por um modelo de desenvolvimento que leve em consideração a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta.
• Redescobrir a solidariedade: contribuir para o desenvolvimento das comunidades por meio da participação das mulheres e do respeito aos princípios democráticos.
Como a escola pode incentivar a Cultura de Paz
Fomentar a cultura de paz nas escolas é um tema recorrente no ambiente escolar. Nesse contexto, as instituições de ensino têm um papel fundamental para que esse conceito saia do papel, ultrapasse os muros dos colégios e alcance a sociedade.
A principal premissa é o diálogo, que deve estar no centro das relações. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) traz, em suas competências, ações que auxiliam nesse trabalho, como a comunicação, o autoconhecimento, o autocuidado, a empatia, a cooperação, a responsabilidade e a cidadania.
Roda de conversa
A roda de conversa é um instrumento importante e bastante eficaz para promover a cultura de paz. Amplamente utilizada pelas escolas, ela atua como uma prática restaurativa, na qual as partes envolvidas em um conflito são ouvidas logo após o ocorrido.
Na conversa restaurativa, todos os participantes ocupam a mesma posição: falam e ouvem os argumentos que levaram cada um a tomar determinada atitude que provocou o conflito. O objetivo é que esse atrito seja ressignificado e resolvido de maneira pacífica e respeitosa.
A prática permite que um se coloque no lugar do outro, sensibilizando tanto o agressor quanto a vítima e os demais participantes, se houver.
Para 2030, a ONU (Organização das Nações Unidas), criou uma Agenda que prevê a promoção de uma sociedade pacífica e inclusiva, reduzindo todas as formas de violência. Vivenciar, na escola e fora dela, uma cultura de paz é uma forma de contribuir para o cumprimento dessa Agenda.